Como as políticas externas impactam o seu negócio

Como as políticas externas impactam o seu negócio

Quem não lembra da greve dos caminhoneiros que paralisou o país em maio do ano passado? Na época, o ato foi motivado pela alta no preço dos combustíveis, em especial o diesel. Postos de todo o país ficaram sobrecarregados pela procura desenfreada de consumidores com medo de não conseguirem abastecer. E o restante do ano permaneceu na sombra de uma nova greve que poderia acontecer a qualquer momento. Esse acontecimento serve como exemplo de que as políticas externas impactam e muito nos negócios, sobretudo no mercado de combustíveis que vivem à mercê dos preços elevados do petróleo. Até 2015, os preços da gasolina e do diesel eram influenciados por decisões do governo. No ano seguinte, a Petrobras passou a acompanhar as cotações internacionais como o valor do dólar e do petróleo, influenciando diretamente no aumento do preço dos combustíveis.

Definição dos preços

Apesar do mercado poder decidir pelo valor do combustível, é a Petrobras quem define o preço do combustível recém refinado, para então sofrer alterações dos impostos e no valor da distribuição e venda. 44% do valor final do combustível vem de impostos, o que ajuda a encarecer ainda mais o produto. Quem também influencia e muito no preço é a OPEP (Organização dos países exportadores de petróleo). Até pouco tempo a Organização mantinha uma produção de petróleo abaixo da média com o intuito de causar escassez e aumentar o preço, fazendo com que o valor do barril chegasse a US$ 80 em 2017. Com a mudança nas políticas da Organização, a produção deve aumentar, resultando na estabilização do preço e impedindo que as produções de bens alternativos como a energia eólica e solar ganhem espaço.

Valor dentro da média

Apesar do Brasil ser produtor de petróleo e consumir 85% da gasolina refinada no país, ainda é um grande importador de derivados como a própria gasolina e o diesel. Isso significa que o preço do barril definido pela OPEP gera influência no valor final vendido ao consumidor. Há quem defenda que o petróleo produzido no Brasil tenha o preço baseado no custo nacional de produção. Por um lado, ajudaria na redução dos preços, mas por outro poderia levar a Petrobras a perder o valor de mercado internacionalmente, o que seria ruim já que a estatal carrega uma dívida de cerca de R$400 bilhões. Mesmo com o alto valor, o preço da gasolina no país é considerado dentro da média mundial. Por aqui o preço varia em US$ 1,18, sendo que a média lá fora é de US$1,15. No ranking mundial de países com a gasolina mais cara, o Brasil aparece em 77º. E de acordo com o plano de negócios da Petrobras, esse panorama deve continuar até pelo menos 2021.